segunda-feira, 23 de março de 2015

Domitila




Não fujas, Domitila
Que o amor é tão próximo..
Não partas pelas rodovias!!
Deixa que te alcance o amor!!

Domitila senta e se põe a chorar.
Domitila não quer a espera, a angústia, o desamparo..
Domitila deixa tudo para trás.
E olha,  manufaturados de tristezas,  seus horizontes..
A vida é desencanto - confabula ela entre o pranto e a estrada..

E eu aqui, que te observo, Domitila
Te digo:  espera, porque o tempo é bom senhor..
Aquieta a alma, sossega essa ânsia desavisada..
Para!!!
Para porque hão de ser avistados novos amanheceres..
Para porque, às vezes, é preciso morrer pra ressurgir..
Porque o amor nasce nas entrelinhas, nas livrarias, entre os cafés fumegantes..
O amor, enfeite de flores e guizos..
O amor, bendito recheio dos corações solitários..
Não chores, Domitila
Porque se chorares, choro eu..


Essas linhas surgiram ao repousar meus olhos nas cartas trocadas entre Dom Pedro e sua amante, Domitila - a marquesa de Santos..