quarta-feira, 7 de maio de 2014

Poema dos olhos cheios d'água





Tu tinhas os olhos cheios d'água
E eu,
Eu te olhava dilacerada entre os panos da minha nudez -
- tragédias
- ternuras
- descompassos..

Não sabia ir sem ti!
NÃO QUERIA PARTIR..
Eram os teus braços que eu procurava atônita
Era a tua voz
Era o teu pescoço
teu corpo, tua boca, tu..

Nada disso tem sentido se tu não estás
Nada vale a pena sem a tua mão, meu amor..
As canções são todas tristes
E os cachorros tão solitários pelas ruas
Se tu não estás os cometas despencam pelas galáxias..
E as abelhas fogem da primavera
As flores, sem polém, não edificam
Nem florescem os prédios nas grandes cidades..
Se tu não estás
As andorinhas revolvem os ninhos nos abismos
Se tu não estás perpetuam-se sombrios todos os invernos
E as marés recuam tímidas sobre as pedras..
E se tu não estás
Morrem os meus olhos como soldados feridos..
E desfalecem sem vida os abraços
Se tu não estás, meu amor
Morrem as tardes
Morrem as flores
Morre a vida..